Palestina x Israel

O Irã que eu conheci

O artigo da escritora Sonia Bonzi revela uma face do Irã desconhecida do mundo ocidental!

Por Sonia Bonzi

Depois de ter morado no Irã, minha maneira de ver o mundo mudou bastante. Não acredito em mais nada do que diz a grande mídia.

Quando soube que ia morar em Teerã senti um certo medo, mas aceitei o desafio. Comecei uma busca voraz por informações sobre o país, a cidade, a história, o povo. Depois de tudo que li, decidi que viveria em casa, reclusa, lendo, escrevendo, fazendo crochet, inventando moda…

Parti de Londres pronta para o sacrifício. Teria que conviver com os xiitas radicais, terroristas cruéis, apedrejadores de mulheres, exterminadores de homossexuais, homens-bomba, mulheres oprimidas, cobertas com véus…

Eu estava submetida às leis locais e me seria vedado mostrar cabelos, pernas e braços. Ficar em casa era o que mais me atraia. Vestir um chador para sair me parecia um pouco demais. A caminho de Teerã eu depositava o sucesso da minha estadia nos jardins da casa onde fui morar. Ter aquele espaço me bastaria.

Logo ao sair do aeroporto comecei a ter uma imagem diferente de tudo aquilo que eu tinha lido. Tudo tão bonito, belas estradas, muita luz, viadutos com mosaicos, jardins bem cuidados, gente vendendo flores nos sinais, um engarrafamento sem buzinas, pedestres poderosos cruzando entre os carros, rapaziada de cabelo espetado, mocinhos com camisetas apertadinhas, moças lindas, super produzidas e também muitas mulheres de chador. Parques cheios de gente. Muita criança. Muito pic nic.

Dizem que a primeira impressão é a que vale. Gostei da chegada. Não tive medo. Não vi tanques, cadafalsos, escoltas armadas… Gostei das caras, das montanhas, das casas, das árvores, dos muros, do alfabeto que me tornava analfabeta.

Logo no segundo dia eu já tinha entendido que minha leitura sobre o cotidiano não tinha nada de realidade. Eu não precisava usar chador. Podia sair vestida com uma calça comprida, um camisão de mangas compridas e um lenço na cabeça. Senti-me nos anos 70, quando eu não dispensava um lencinho.

Deixei o jardim de casa e fui conhecer Teerã.

A imprensa e os meios de comunicação do ocidente me deixavam confusa. O que eu lia e ouvia não correspondi ao que eu vivia e via.

Encontro um povo é acolhedor, educado, culto, simpático, que gosta de fazer amigos, que abre as portas de casa para os estrangeiros, gosta de música, de dança, de declamar poesia… Não encontrei os problemas de abastecimento que me informaram haveria. Comprava-se de tudo, inclusive uísque e vodka. Bastava um telefonema.

Os temíveis homens-bomba nunca passaram por lá. Ninguém se explodia. Foi horrível constatar que enforcamentos aconteciam de vez em quando. Apedrejamento de mulher adúltera já não acontecia há 14 anos.

Fiquei amiga de muitos gays, fiz e fui a festas espetaculares, tomei vinho feito em casa, viajei sem escoltas pelo país, visitei amigos em suas casas de campo, de praia, de montanha…

Apaixonei-me pela culinária refinadíssima, morro de saudades das nozes, pistaches, castanhas, avelãs, frutas secas. Não me esqueço dos pães, do iogurte, do suco de romã puro ou com vodka…

Conheci a Pérsia profunda: lagos salgados, desertos salgados, as antigas capitais, segui a “rota da seda”, dormi em caravanserais… Sempre assessorada por amigos locais.

Não conheci um iraniano, de nenhuma classe social, que fosse favorável ao regime teocrático instalado no país. Só uma coisa aproxima o povo do governo: o direito à tecnologia nuclear.

A pressão do ocidente fortalece e radicaliza os aiatolás. O povo do Irã não aceita esta interferência mundial. Quem são os ocidentais para dizer a eles o que fazer? Eles não vêem o ocidente como um modelo a ser seguido. Eles não acreditam nos governos que já apoiaram Sadam Hussein numa guerra contra eles. Eles não tem razão para acreditar nas grandes potências. Isto incomoda. Melhor demonizá-los. Eles são acusados de não cumprirem acordos. Quem os acusa também não cumpre.

O domínio da tecnologia nuclear é considerado pelo povo do Irã como um direito deles, que sempre tiveram grandes cientistas, que sempre valorizaram o conhecimento, a medicina de ponta, que querem vender energia nuclear..

O povo iraniano não começa uma guerra há mais de 200 anos. Eles não são belicosos. São diferentes de seus vizinhos. A instabilidade no Oriente Médio não é causada pelo Irã. Apesar da força que a imprensa, os governos, as corporações fazem para denegrir a imagem do Irã, eu confesso que o Irã que eu conheci não é o que é descrito pela mídia ocidental.

Não há favelas em Teerã, não há miseráveis pelas ruas. Minorias tem seus representantes no Congresso, judeus tem seus negócios, suas sinagogas, zoroastrianos tem acesa a chama em seus templos. A família é uma instituição valorizada. Refugiados palestinos e iraquianos são mantidos pelo governo e pelo povo iraniano, que lhes oferece abrigo, alimento e escolas…

Não acredito que ameaças e o uso da força possam melhorar a situação na região. Os iranianos não são os iraquianos. Ser mártir para defender a religião ou a pátria é motivo de júbilo até para as mães.

A negociação, o respeito, a falta de arrogância, as informações corretas são as armas para defender a estabilidade no mundo. Pena que muitos interesses financeiros estejam acima dos sonhos de bem-estar e paz.

Sonia Bonzi é escritora.

Fonte: NovaE. http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1524

Mulheres muçulmanas

Refutando a ideia de opressão e desrespeito às mulheres muçulmanas



Por Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias

A condição da mulher é hoje muito discutida em congressos e fóruns mundiais que têm a mulher como eixo central dos debates. O ocidente costuma dirigir muitas críticas ao Islã por tratar, na sua visão, a mulher com desrespeito e humilhação. Quem faz tais afirmativas desconhece por completo o islamismo. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que o primeiro muçulmano, foi uma mulher, Khadija, esposa do Profeta Muhammad (chamado de Maomé nas línguas latinas). Ela foi a primeira pessoa a quem o Profeta falou da Revelação e foi quem o apoiou nos momentos mais difíceis, incentivando-o nas pregações ao povo. Portanto, Khadija foi a primeira pessoa a aceitar o Islã. (ABD’ALLAH. 1989).

O Alcorão, livro Sagrado do Islã, assegura uma série de direitos às mulheres, direitos que outrora inexistiam, em qualquer que fosse a sociedade ou religião. Inclusive, alguns direitos, apenas ela possui, refutando a ideia de que a mulher é desprovida de direitos que assegurem sua dignidade no islamismo. O livro ainda reserva uma Surata, mais precisamente a quarta, inteira só para a mulher, a chamada Suratu An-Nissá (A sura das mulheres). Para facilitar uma melhor compreensão, o texto será separado em três âmbitos: social, econômico e espiritual.

A mulher no contexto social:

A vida
O primeiro e fundamental direito de qualquer ser humano é o direito à vida, e o Alcorão assegura esse direito:

“…Quem mata uma pessoa, sem que esta haja matado outra ou semeado corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. E quem lhe dá a vida será como se desse a vida a todos os homens…” (Surata 5:32)

A proteção e a reputação
Era costume de alguns homens, quando não queriam mais suas mulheres, caluniarem e difamarem sua honra, causando severas punições a elas. O Alcorão tem uma lei que proteje a mulher desses incidentes:

“E aos que acusam de adultério as castas mulheres, em seguida, não fazem vir quatro testemunhas, acoitai-os com oitenta açoites, e, jamais, lhes aceiteis testemunho algum; e esses são os perversos.” Surata (24:4)

O trabalho
Dentre os vários argumentos que os detratores do Islã usam está o de dizer que a mulher muçulmana não pode trabalhar. O Islã diz que o homem é quem tem obrigação de cuidar e prover uma família, mas isso não impede que a mulher trabalhe, desde que seu trabalho não a impeça de cuidar da família e da educação dos filhos. Isso porque ela é a fonte de alegria, de carinho e dos bons valores. O trabalho dignifica o ser humano, independendo do sexo, e o Islã é uma religião que incentiva o trabalho e a instrução. Na história do Islã houve grandes mulheres que trabalharam, como Khadija, primeira esposa do Profeta, era uma grande comerciante na Arábia. Zaynad, outra esposa do Profeta, era uma grande artesã, além da senhora Rafida al Asslamia, que dedicou a vida a cuidar dos doentes e feridos na Mesquita do Profeta. Contam que na época do califa Omar Ibn al Khattab, a fiscalizadora geral do mercado era Axiffá, uma sábia mulher. Portanto, dizer que a mulher no Islã é proibida de trabalhar é um embuste. (WAHDANI, s/d).

A educação
No mundo islâmico, a educação também é assegurada a todos, homens e mulheres, além de ser gratuita, como a saúde. Ambas são de boa qualidade. Esse hadice (2) deixa isso claro: “Buscar o conhecimento é um dever de todo muçulmano e muçulmana (3)”. Contam queAisha era especialista em leis que tratavam de herança e sobre o que era lícito e Ilícito. Ela foi muito mencionada por diversos juristas por ter convivido bastante com o Profeta Muhammad. Chegaram até a dizer que ela era a mais eloquente dos árabes. (WAHDANI, s/d). A educação sempre foi prioridade no mundo islâmico. O Profeta costumava dizer: “Buscai o conhecimento até na china” e ainda “Procurem a sabedoria do berço até túmulo.”

O direito de falar e ser ouvida:
Durante séculos a mulher foi proibida de opinar sobre qualquer assunto, sua opinião era jamais consultada e sua voz jamais ouvida. E isso aconteceu até alguns poucos anos atrás. O Islã deu liberdade de expressão às mulheres, sobre qualquer assunto que desejassem opinar. O próprio Profeta consultava sua esposa Khadija sobre tudo e sempre seguia seus conselhos e ficava alegre ao ouvi-los.

O direito de escolher seu marido:
Apesar disto ter sido incomum em muitas culturas, inclusive na Arábia pré-islâmica, o Islã proibiu categoricamente que a mulher fosse forçada a casar-se sem o seu consentimento. Ninguém poderia forçá-la, fosse o pai, o irmão ou o tutor. Percebemos o zelo que o Profeta Muhammad tinha com as mulheres quando disse (4):

“Quanto mais cívico e amistoso for um Muçulmano para com a sua esposa mais perfeita é a sua fé.”(Hadice compilado por Tirmidhi).

“Os crentes mais perfeitos são os melhores em conduta, e os melhores de entre vós são aqueles que são melhores para as suas esposas.”(Ibn Hanbal).

“É o generoso (em caráter) aquele que é bom para as mulheres, e é fraco aquele que as insulta”.

Para o Profeta, a mulher não é “um instrumento do demônio”,mas, sim, uma “Muhsanah”,ou seja, uma fortaleza contra satanás.

Reprodução do artigo da newsletter do ICArabe. Esta é uma versão incompleta do artigo. Para ler o texto todo, clique aqui.

Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias é graduando em ciências sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco / Departamento de Letras e Ciências Humanas / Cátedra Ibn Arabi. Email: hesdrassouto@hotmail.com

Playing For Change | Song Around the World

Enviado por Enrique Giana – São José dos Campos-SP

Homens pelo fim da violência

É incrível que idéias boas demorem tanto a circular, mesmo na era da internet. Só se explica isso pela resistência cultural ao abandono do machismo. Ainda bem que temos HOMENS aliados. Não sei se sabem, mas esse movimento nasceu há 20 anos no Canadá e há +/- 10 anos no Brasil. Nunca é tarde…

“Homens unidos pelo fim da violência contra as mulheres” é o nome da campanha da ONU  que o governo brasileiro lançou no dia 31 de outubro, por meio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SNPM).
O objetivo da campanha é a de mobilizar homens de todo o mundo na luta contra a violência cometida contra as mulheres. Eles podem dar seu apoio assinando o manifesto que está disponível no site:

http://www.homenspelofimdaviolencia.com.br

Por favor, ajudem a divulgar. Repassem para seus mailings.
Essa corrente vale a pena.

Ione Cirilo
Terapeuta Xamã

Pouco tempo para o Tibete

Aninhada na encosta de uma montanha, com suas ruas estreitas e pequenas lojas, a cidade mais parece uma simples base para os montanhistas a caminho dos picos nevados do que a residência de um líder religioso tão famoso e admirado.

Retiro espiritual
No entanto, essa pequena cidade indiana é única. Seus moradores são uma mistura notável de negociantes locais, refugiados tibetanos, peregrinos piedosos, europeus cansados da civilização e americanos em busca de significado para suas vidas. Muitos vêm para cá procurar um retiro espiritual do mundo materialista ou – como um grupo de israelenses – um lugar agradável para fumar maconha sem ser incomodados.

Monges tibetanos com cabeças raspadas e túnicas vermelho-escuras conversam na pequena praça da cidade à tarde. Cartazes nas paredes pedem “Liberdade para o Tibete” e o boicote às Olimpíadas de Pequim em 2008 se a ocupação do Tibete continuar. Peregrinos do mundo inteiro esperam com ansiedade permissão para entrar na residência do Dalai Lama.

Nesta manhã de segunda-feira chegou uma grande delegação de budistas mongóis. Alguns cidadãos chineses da República Popular também estão aqui.

Eles não se deixaram enganar pela propaganda de Pequim, que denuncia o Dalai Lama como um “traidor” e “separatista” . “Ele é o guru do meu coração”, sussurra uma bonita estudante do sul da China, de rabo-de-cavalo.

O Dalai Lama atende seus conterrâneos antes de se dedicar aos visitantes estrangeiros. Cerca de 308 tibetanos, a maioria deles agricultores e pastores, esperam em silêncio por ele, o rei divino, no terreno em frente a um templo. Eles usam jornais para se proteger do sol forte da primavera enquanto crianças brincam entre eles.

Esperança para o Tibete
Alguns atravessaram clandestinamente a fronteira do Tibete para o Nepal – coisa perigosa de se fazer, pois as patrulhas de fronteiras chinesas às vezes abrem fogo. Recentemente eles atingiram uma monja fugitiva em uma geleira. Outros visitantes têm visto oficial para o Nepal. Guias que conhecem bem o território os trouxeram através da fronteira para a Índia.

A maioria desses peregrinos volta para seu país depois de algumas semanas, mas muitos ficam para o resto da vida. Eles entram em um dos mosteiros tibetanos na Índia, ganham um lugar num lar para idosos ou freqüentam a escola em Dharamsala. Os refugiados incluem um número notável de crianças cujos pais ficaram para trás no Tibete.

Os soldados indianos se mantêm atentos. Um guarda-costas em roupas civis assume sua posição, armado com uma metralhadora que poderia ter vindo do arsenal da ex-potência colonial britânica. Às 10 da manhã em ponto, o Dalai Lama caminha entre a multidão. Ele não se senta numa grande cadeira que foi colocada para ele. Aos 71 anos, ele fica de pé, falando em um microfone cor de laranja por cerca de uma hora.

Seu discurso é mais político que religioso. “Vocês fazem parte da nossa luta. Vocês vão continuá-la. Vocês mantém o espírito e a cultura tibetanos vivos. Vocês são os mantenedores da fé e da identidade”, ele incentiva a platéia.

O Dalai Lama cita Mao Tse-tung e Deng Xiaoping. Ele insulta os chineses e ao mesmo tempo os elogia. A China sofreu “grandes mudanças” nos últimos anos e não deixará de se reformar, ele diz. É por isso que ainda há esperança de que o Tibete consiga se libertar do jugo chinês, ele continua.

O tempo está se esgotando
O Dalai Lama faz essas aparições públicas somente uma ou duas vezes por mês.

O objetivo é dar a todos que vêm do Tibete a oportunidade de vê-lo. Ele parece alegre e descontraído – e não dá a impressão de um homem cujo tempo está se esgotando. Mas também sabe que as probabilidades de ele voltar a Lhasa estão diminuindo a cada dia que passa.

Não há progressos nas negociações com os chineses sobre o futuro do Tibete.

Os dois lados simplesmente “esclareceram suas posições” nos últimos três anos, o que significa que o Dalai Lama não busca mais a independência.

Agora, como ele disse à SPIEGEL em uma entrevista, Pequim indicou que quer continuar o diálogo, mas não definiu qualquer cronograma para isso.
Pequim aposta que o tempo trabalhará a seu favor. Evidentemente os chineses querem esperar com paciência até que o Tibete perca o Dalai Lama – e o mundo perca um mestre que durante quase 50 anos atuou como o maior agente publicitário do Tibete, estabelecendo contatos estreitos com Washington, Bruxelas e Hollywood.

Os chineses calculam que quando o líder de 71 anos morrer o interesse do Ocidente pelo lugar místico que é o Tibete vai desaparecer, a procura por Xangrilá terminará e a pressão política sobre Pequim derreterá como as velas de manteiga nos altares dos mosteiros locais.

“Os chineses não confiam em nós. Eles não confiam em Sua Santidade”, queixa-se Thubten Samphel, o porta-voz do governo no exílio. Mas, ele diz, os tibetanos não podem fazer mais concessões do que já fizeram. “Temos nosso orgulho. Fomos até onde pudemos ir, mas esse é o limite.”

Pessoas como Samphel podem ver os efeitos que 50 anos de domínio chinês tiveram sobre seus conterrâneos. “Os jovens tibetanos que chegam aqui não falam tibetano entre si, falam chinês”, ele comenta com tristeza. “Eles querem conhecer uma mulher branca aqui em Dharamsala e então partir para os EUA ou a Europa.”

Outros estão se tornando cada vez mais impacientes. Kelsang Phuntsok, 45 anos, presidente do Congresso da Juventude Tibetana, é um desses ansiosos.

“Estamos muito preocupados com o que acontecerá ao Tibete depois da morte do Dalai Lama”, ele diz.

Sentado em seu escritório desorganizado, Phuntsok não esconde sua opinião de que “o caminho do meio” da autonomia pretendida pelo Dalai Lama é um enorme erro: “Estamos falando de independência, e não de autonomia. As pessoas têm independência em seus corações. Nós acreditamos nisso”.

“O conceito de violência não acabou para nós”, ele diz. “Matar chineses é a coisa mais fácil do mundo. Mas é inútil nesta fase.” Uma greve de fome na frente do edifício da ONU em Nova York faz maior pressão contra Pequim do que atentados, diz o jovem funcionário político.

O líder rebelde sul-americano Che Guevara é seu grande ídolo, ele confessa antes de se despedir. “Temos força para levar o movimento tibetano em outra direção”, ele diz.

Caminho para a democracia
Em um futuro Tibete autônomo, o Dalai Lama quer um sistema político com “liberdade de expressão e o regime da lei”, ele insistiu na entrevista à SPIEGEL. Mas o espírito da democracia até agora não conseguiu florescer em Dharamsala – iniciativas para fundar partidos políticos no exílio ainda não deram resultados.

“O sistema democrático foi adotado por Sua Santidade”, diz timidamente o primeiro-ministro Samdhong Rinpoche. O que ele quer dizer é que o sistema democrático não é produto da pressão popular “de baixo”, nem a expressão de um desejo genuíno de participação política. É simplesmente um sistema que atrai o Dalai Lama. “As pessoas têm dificuldade para imaginar uma liderança política que não seja também religiosa”, diz Samdhong.

Ele e os outros lamas e ministros estão constantemente imaginando o futuro do budismo tibetano. O que aconteceria se o Dalai Lama anunciasse no fim de sua vida que não haverá uma 15ª reencarnação no exílio? “Estamos considerando um modelo parecido com o do Vaticano”, diz o líder do governo.

O simpático monge Thupten Ngodup é uma pessoa que poderia exercer considerável influência sobre a questão do sucessor do Dalai Lama. Suas feições são surpreendentemente suaves para um homem de 49 anos, e ele tem uma risada franca. Mora no mosteiro de Nechung em quartos com vista para o profundo vale lá embaix
o.

Ngodup gosta de flores e cachorros, e provavelmente tem o emprego mais misterioso do mundo: ele é o oráculo oficial do Tibete, cuja função é prever o futuro do Dalai Lama. Seu antecessor pediu que o rei divino, que na época tinha 24 anos, fugisse do Tibete durante a insurreição.

O Dalai Lama – que gosta de se cercar de cientistas, filósofos e pensadores internacionais – tem uma crença inabalável nas forças sobrenaturais misteriosas. O mesmo parece valer para a jovem chinesa de rabo-de-cavalo, a última peregrina que ele recebe nessa manhã. “Você tem de viver para sempre!”, ela diz em inglês. “Prometa!”

O Dalai Lama olha para ela, sorri e não diz nada

Yahoo Grupos – Sakya Kun Khiab Cho Ling

Texto enviado por Marcelo Marcolino – São Paulo-SP

Impeça o choque de civilizações

Demande verdadeiras negociações de paz agora!

Dizem que a humanidade esta sofrendo um crescente “choque de civilizações” entre o Islã e o Ocidente. Mas o choque não é cultural e sim político e juntos podemos impedir que ele aconteça.

Mas por onde começamos? O maior símbolo desse choque é o conflito Israelense-Palestino e ele já está durando tempo demais: é hora de tomar uma iniciativa.

Assista nosso vídeo e assine a petição
. Quando lideres internacionais se reunirem no fim de março, nossa mensagem será entregue de uma forma que eles não esquecerão…


MOBILIZE-SE AGORA >>


Mensagem enviada por Chico Abelha – Canadá

Viramos turcos!

Por Khalid Tailche

“Viramos turcos para permitir-nos o que o céu não consente aos otomanos?”. Estas são as exatas palavras de Otelo, o nobre mouro árabe a serviço da República de Veneza, no segundo ato da obra homônima de William Shakespeare. À época de Shakespeare, mais especificamente quando a peça Otelo foi ensaiada pela primeira vez, em 1604, o Império Turco invadira os paises árabes, desde o Egito, controlando o mar Mediterrâneo em boa parte da Europa Ocidental, e foi até a Hungria. A invasão turca representava, por um lado, uma ameaça para os europeus, e por outro, a consolidação de uma má fama para os turcos. Sob o Império Turco, milhares de pessoas foram massacradas, e outras milhares foram exiladas para longe de sua terra.

A ironia é que, no nosso tempo, os inimigos de ontem podem ser os aliados de amanhã. A Turquia, monstro que ameaçava seus vizinhos, acaba sendo a ponte que liga a Europa ao Oriente Mulçumano. Apesar da história sangrenta da morte de milhares de armênios – em um dos massacres mais violentos da história mundial -, a invasão do mundo árabe e a ameaça à Europa, a Turquia é hoje um país democrático que quer fazer parte da União Européia. E por que não, já que a capital da Turquia localiza-se no lado Europeu da Turquia, e não no lado asiático?

Os dois países árabes que têm fronteiras com a Turquia são Iraque e Síria. Até hoje podemos observar várias palavras da língua turca no dialeto iraquiano. O efeito não pára por aí. As relações econômicas e políticas entre a Turquia e os países árabes também mudaram. Da mesma forma que se aproxima dos países europeus, na posição de país amigo e possível aliado, não perde seu papel de liderança na região. Mesmo assim, a longa invasão turca ao mundo árabe criou certa sensibilidade entre os árabes e os turcos, que pode ser observada até hoje, registrada na memória do mundo árabe em geral.

Longe da Turquia, no continente americano, está o Brasil, um país que abarca uma variedade étnica imensa. Cosmopolita, apresenta mistura de raças de vários países. Tanta diversidade cria muitas vezes dificuldades no entendimento das diferenças culturais e históricas, gerando um senso popular sobre as raças e suas origens. No caso dos árabes, muitas vezes ficaram surpresos pelo fato de serem chamados de turcos!

O apelido não agrada aos árabes, mas justifica-se, pois na época do principal fluxo de imigração árabe para o Brasil, estes chegaram com passaportes do Império Otomano, que ocupava seus países naquele momento. Também por causa da música e da comida, muitas vezes semelhantes nos vários países árabes e na Turquia, a confusão cultural se espalhou. Desde então, árabes têm sido chamados de turcos e sentem-se ofendidos, pois muitos brasileiros não compreendem a diferença.

A questão que se apresenta é: será que o nosso mundo globalizado de hoje vai nos aproximar uns aos outros, criando uma harmonia maior entre os países do mundo e seus povos, ou o antigo lobo cobiçoso só mudará sua aparência, mas não seu comportamento, guardando escondidos seus dentes afiados? Não sabemos, mas o futuro nos dirá. Há esperança de que os povos comecem a aprender a respeitar os outros e a conviver com mais harmonia e sem preconceitos. Assim, o passado não será mais amargo, e todos nós seremos chamados de turcos, árabes ou brasileiros com prazer!

Correio do Icarabe – Ano 3 – Edição nº 89
Instituto de Cultura Árabe – www.icarabe.org

Khalid Tailche, graduado em literatura no Iraque, nasceu em Mosul, Iraque, e vive há 19 anos no Brasil

Road to nowhere


Cristian Marini

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